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5 prompts pra tirar projetos do papel

Um jeito de descobrir em uma semana se aquela ideia merece mais sete meses da sua vida

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Miguel Lannes Fernandes
ago 14, 2026
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Fala aí, belesma?

Existe uma pasta que quase todo mundo tem.

Às vezes ela fica no computador. Às vezes no Notion. Às vezes é uma conversa com você mesmo que reaparece no banho, no trânsito ou três minutos antes de dormir.

É a pasta das ideias que parecem boas demais pra abandonar — e grandes demais pra começar.

Você abre. Acrescenta uma linha. Pesquisa uma ferramenta. Muda o nome. Imagina como vai ficar quando estiver pronta. Depois fecha porque ainda falta decidir o formato, montar a página, escolher a tecnologia, estudar o mercado, resolver a identidade visual e provavelmente aprender mandarim.

A ideia continua viva. Só não acontece.

O problema é que a gente costuma tratar uma ideia como se ela precisasse nascer adulta. Ela já tem que chegar com nome, plano, público, produto, estratégia e certeza de que vai funcionar.

Não precisa.

Antes de virar um projeto grande, uma ideia precisa conquistar o direito de continuar existindo.

E o jeito mais honesto de descobrir isso não é pensar nela por mais seis meses. É colocá-la no mundo numa escala pequena o suficiente pra caber em sete dias — mas real o suficiente pra alguém reagir.

Foi daí que montei esta sequência.

Não são cinco prompts para a inteligência artificial “fazer sua ideia”. São cinco prompts para impedir que você use a inteligência artificial como uma máquina sofisticada de planejamento infinito.

O primeiro tira a ideia da neblina. O segundo descobre o que realmente a mantém parada. O terceiro compara três escopos possíveis. O quarto transforma a maior dúvida num experimento. E o quinto coloca cada dia da semana no calendário.

Faça tudo no mesmo chat. Reserve cerca de uma hora para montar o projeto e mais sete dias para executá-lo. Um prompt usa a saída do anterior, então não pule etapas — principalmente a primeira, mesmo que você jure que “já sabe qual é a ideia”.

Uma observação: sete dias não servem para construir qualquer coisa por completo. Servem para produzir evidência. Se a ideia envolve saúde, segurança, dinheiro relevante, contratos, dados pessoais ou consequências difíceis de desfazer, reduza o experimento até ele ser seguro e valide o plano com um profissional qualificado.

Bora tirar essa ideia da pasta.

Prompt 1, transforme a ideia nebulosa num problema concreto

Ideia parada costuma chegar como uma mistura de projeto, desejo, medo e versão final imaginada. Se você começa perguntando “como eu faço isso?”, a IA pode responder com um plano impecável para uma ideia que ainda ninguém conseguiu explicar direito.

Este primeiro prompt conduz uma entrevista, uma pergunta por vez. Ele descobre o que já existe, para quem a ideia deveria servir, quais limites são reais e qual parte do projeto está apenas na sua cabeça. No final, produz um MAPA DA IDEIA que alimenta o próximo passo.

Atue como entrevistador de diagnóstico de uma ideia parada. Sua função não é decidir por mim, criar o projeto completo nem tentar me motivar. Sua tarefa é descobrir, com precisão, o que existe hoje, o que eu desejo, o que me limita, o que temo, qual escopo estou imaginando e quais incertezas impedem movimento.

CONTEXTO INICIAL

- Minha ideia: [DESCREVA EM UMA FRASE, MESMO QUE ESTEJA CONFUSA]
- Há quanto tempo está parada: [OPCIONAL]
- O que já fiz: [OPCIONAL]
- Tempo disponível nos próximos 7 dias: [OPCIONAL]
- Orçamento máximo seguro: [OPCIONAL]
- Existe risco de saúde, segurança, jurídico, financeiro, profissional, privacidade ou para terceiros? [SIM / NÃO / NÃO SEI]
- Outro contexto importante: [OPCIONAL]

REGRAS DA ENTREVISTA

1. Faça somente UMA pergunta por mensagem e espere minha resposta.
2. Adapte cada pergunta ao que eu disser. Não despeje um questionário pronto nem repita o que já foi respondido.
3. Quando eu for vago, peça exemplo, número, data, comportamento observável ou situação específica.
4. Separe sempre:
   - FATO: algo observado, feito ou confirmado;
   - INTERPRETAÇÃO: a explicação que atribuo ao fato;
   - DESEJO: o resultado que quero;
   - RESTRIÇÃO: um limite real;
   - MEDO: uma consequência possível;
   - INCERTEZA: algo relevante ainda desconhecido;
   - DECISÃO: uma escolha já feita;
   - PREFERÊNCIA: algo que gostaria de preservar, mas talvez seja negociável.
5. Não invente público, recursos, competências, obstáculos, prazos ou intenções. Marque lacunas como “não informado” e hipóteses como “a verificar”.
6. Se eu me contradisser, apresente as duas afirmações de forma neutra e peça esclarecimento.
7. Se eu disser “ninguém quer”, “não tenho tempo”, “o mercado está saturado”, “ainda não está bom”, “preciso aprender mais” ou “não sei por onde começar”, investigue a evidência concreta.
8. Não transforme medo em diagnóstico psicológico. Pergunte o que exatamente temo que aconteça e que evidência sustenta isso.
9. Não reduza o projeto nem crie o plano de 7 dias ainda. Apenas diagnostique.
10. Para decisões de alto risco, identifique limites seguros e os pontos que exigem validação profissional.

INVESTIGUE, EM ORDEM ADAPTATIVA

A. ESTADO ATUAL
- O que a ideia é hoje em termos observáveis;
- há quanto tempo está parada;
- última ação concreta;
- notas, rascunhos, pesquisas, compras, conversas ou protótipos já existentes;
- o que ocorreu imediatamente antes da paralisação;
- tentativas e reformulações anteriores.

B. RESULTADO DESEJADO
- Para quem deveria gerar valor;
- que mudança concreta eu gostaria de observar;
- por que ainda importa;
- o que seria útil mesmo em escala pequena;
- o que estou exigindo para considerar o projeto válido;
- se busco aprendizado, validação, receita, portfólio, expressão, impacto ou compromisso;
- o que não quero sacrificar.

C. RESTRIÇÕES DOS PRÓXIMOS 7 DIAS
- Horas realmente disponíveis e maior bloco contínuo;
- orçamento seguro;
- ferramentas, acessos e competências já disponíveis;
- dependências de outras pessoas;
- responsabilidades, autorizações e limites;
- energia e condições práticas.

Classifique cada limite como rígido, negociável ou preferência.

D. MEDOS E CUSTOS
- O que temo se começar, mostrar, falhar ou der certo;
- quem poderia julgar, cobrar ou ser afetado;
- qual perda tento evitar;
- evidência ou precedente desse risco;
- custo de manter a ideia parada por mais um mês.

E. ESCOPO IMAGINADO
- Qual é a versão completa;
- quais partes trato como indispensáveis e por quê;
- o que tento entregar de uma só vez;
- padrão de qualidade antecipado;
- público, canal, formato ou tecnologia tratados como obrigatórios;
- essência da ideia versus detalhes da versão idealizada.

F. INCERTEZAS
Mapeie dúvidas sobre problema, público, interesse, solução, formato, canal, custo, risco e capacidade de execução. Para cada uma, registre a pergunta exata, por que ela mudaria uma decisão, evidência atual e confiança baixa, média ou alta.

G. BLOQUEIO
Teste, sem forçar uma resposta, se a paralisação vem principalmente de escopo, perfeccionismo, próximo passo indefinido, medo, restrição real, dependência externa, competência, conflito de objetivos, falta de evidência, excesso de opções ou baixo compromisso atual.

Peça que eu confirme ou corrija o bloqueio principal. Diferencie causa, fatores contribuintes, sintomas e explicações ainda não comprovadas.

ENCERRAMENTO

Quando houver informação suficiente, avise que fará uma última pergunta: “Existe algum fato, obrigação, receio ou condição de sucesso que ainda não apareceu e mudaria este diagnóstico?” Espere minha resposta e produza somente:

# MAPA DA IDEIA

## 1. Ideia em uma frase
## 2. Estado atual
- Tempo parada:
- Última ação concreta:
- O que já existe:
- Tentativas anteriores:
- Evidências disponíveis:

## 3. Resultado desejado
- Para quem:
- Mudança pretendida:
- Resultado útil mínimo:
- Resultado ideal:
- Condição atual para chamar o projeto de válido:
- O que não quero sacrificar:

## 4. Fatos, interpretações, desejos, medos e incertezas
| Afirmação | Classificação | Evidência | Confiança |
|---|---|---|---|

## 5. Restrições dos próximos 7 dias
| Restrição | Rígida, negociável ou preferência | Impacto | Informação ausente |
|---|---|---|---|

## 6. Medos e custos percebidos
| Medo | Consequência prevista | Evidência | Ainda é possibilidade? |
|---|---|---|---|

## 7. Escopo imaginado
- Versão completa:
- Elementos tratados como indispensáveis:
- Essência da ideia:
- Elementos da versão idealizada:
- Necessidades ainda não verificadas:

## 8. Incertezas abertas
| Prioridade | Pergunta | Decisão que muda | Evidência atual | Confiança |
|---|---|---|---|---|

## 9. Diagnóstico da paralisação
- Bloqueio principal confirmado:
- Evidências:
- Fatores contribuintes:
- Sintomas:
- Explicações não comprovadas:
- Contradições relevantes:

## 10. Limites de segurança
- Riscos:
- Impactos sobre terceiros:
- Decisões que não devem ser tomadas apenas com IA:
- Validações necessárias:
- Espaço seguro para exploração em uma semana:

## 11. Matéria-prima para o Prompt 2
- Fato mais importante:
- Suposição mais importante:
- Restrição mais importante:
- Medo mais influente:
- Maior ponto de escopo:
- Incerteza decisiva:
- Primeira pergunta a auditar:

## 12. Lacunas não resolvidas

Não acrescente plano, conselho ou motivação depois do mapa.

A parte mais importante é a última ação concreta. “Estou trabalhando nisso” pode significar construir algo — ou apenas consumir conteúdo sobre a ideia. O mapa obriga essa diferença a aparecer.

Prompt 2, descubra o que realmente mantém a ideia parada

Nem toda ideia parada sofre de falta de tempo. Às vezes ela sofre de tamanho. Ou de perfeccionismo vestido de “padrão de qualidade”. Ou de uma dependência que você nunca verificou se era realmente necessária.

Este prompt funciona como auditor. Ele não tenta animar você; procura evidências para classificar cada trava e termina com uma definição mínima de progresso: o menor sinal visível de que a ideia deixou de estar parada.

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